segunda-feira, 24 de setembro de 2007

GRANDE TIMONEIRO, OS TEUS ADEPTOS BEBEM AS TUAS PALAVRAS...




Manuel Cajuda vive dias felizes em Guimarães. Vê a sua equipa sem derrotas desde Janeiro e quer travar o Sporting no D. Afonso Henriques. Com naturalidade, a motivação é grande para o jogo mais importante da Taça da Liga. «É natural que os jogadores do Vitória se sintam felizes. O Vitória está numa classificação boa e tem a particularidade de ganhar com alegria, brilhantismo e um sorriso nos lábios. As coisas têm corrido bem», valoriza o treinador do V. Guimarães.

Motivação extra por defrontar o Sporting não parece existir no seio do grupo. «Devemos sair deste fado triste que continua a fazer obra no futebol português sobre a motivação de jogar com os clubes grandes. Penso acima de tudo que deve ser uma motivação excelente jogar no V. Guimarães, estar a fazer um bom campeonato. Para nós, Guimarães, não há vencedor antecipado com o Sporting. Neste jogo ninguém arrisca. Espero do Sporting o que é, uma grande equipa, muito bem orientada, com jogadores extraordinários. Para nós, é mais um jogo... para ganhar», precisou.

O treinador considera que «é mau» para o V. Guimarães o Sporting vir de um empate, frente ao V. Setúbal. «O Sporting vem seguramente ferido. Foi bom em termos classificativos, porque o V. Setúbal não somou nove pontos e o Sporting está apenas a um ponto de nós. Em termos do ego dos jogadores do Sporting, treinadores, massa associativa há sempre uma reacção forte. Agora, é bom que eles saibam que nós sabemos que a reacção deles não pode ser muito mais forte do que isto. Não há milagres, jogaram ontem e vão jogar quarta-feira. Não podem ter uma reacção ao ponto de ficarmos a tremer já nesta altura», considera.

«O leão ferido e o relvado que não ajuda

Considera o resultado «mau», porque o Sporting empatou, mas se os leões tivessem ganho também diria que seria mau porque viriam moralizados. «Claro! Por isso é que me pagam para vir à sala de Imprensa e vender o peixe consoante há tempestade ou não. Se o Sporting tivesse ganho pensava de outra maneira. Assim, tenho de fazer o meu jogo dentro da verdade. Eles devem vir feridos e toda a gente sabe que um leão ferido é um caso sério», soltou Cajuda.

Cajuda admite também que está em vantagem por ter jogado na sexta-feira e o Sporting apenas no domingo. «No tempo de descanso o Vitória tem claramente vantagem, não há que fugir. O futebol merece um discurso de verdade. Não sei é se isso vai ser determinante, não acredito que seja, mas temos vantagem nesse vector. Temos 48 horas a mais em relação ao Sporting. Tenho vantagem no descanso, mas não tenho vantagem nos milhões e não tenho jogadores de três, quatro milhões», fez notar.

O relvado do D. Afonso Henriques não está em boas condições, admite de resto Cajuda: «Em termos de relva provavelmente vamos ficar iguais. Não me preocupa, porque nunca me queixei. Toda a gente viu que o nosso relvado tem alguns problemas. Uma equipa que tem um futebol tecnicamente bonito como o V. Guimarães, é prejudicial. Não somos queixinhas. Os senhores da relva estão a fazer todos os possíveis para recuperar o relvado.»

O treinador diz ainda que o problema tem feito diferença à equipa: «Desde a época passada só treinei uma vez no estádio onde jogo ao domingo e cria alguns problemas a nível de referências. Temos de poupá-lo e há mais dois meses que não vamos ao relvado. Não são só os princípios de jogo, as transições, as basculações que são importantes, são também referências próprias dos jogadores. Os pontos de referência em relação aos relvados do complexo não são iguais e isso tem sido uma desvantagem para nós. É um facto que o relvado tem-nos prejudicado e não nos ajuda grande coisa.»

A confiança de Manuel Cajuda estende-se ao jogo com o Sporting, mas não só. O treinador do V. Guimarães consolida a ideia de que quer ajudar o clube a crescer até lutar pelo título. Quando se pergunta que importância dará Cajuda à Taça da Liga, o técnico desenvolve este raciocínio. «O V. Guimarães, nesta altura, não se deve preocupar com ir à Europa. Vejam o que aconteceu as equipas que foram à Europa o ano passado. Quase nenhuma delas ganha. O V. Guimarães tem de ter um projecto uniforme de crescimento e tornar-se uma equipa que vá todos os anos à Europa em vez de ser uma equipa que vá num ano e não vá no outro. Se calhar é necessário não ir durante um ano ou dois, melhorar as condições do plantel, melhorar as condições de trabalho, que são excelentes nesta altura, não viver obcecado por vaidade e viver obcecado por realismo de crescimento. Se o Vitória optar por isso, daqui por dois anos em vez de pensar na Europa pode pensar seguramente chegar ao título de campeão nacional», defende Cajuda.
O técnico prossegue o raciocínio. «Os títulos não se conseguem por acaso, é com muito trabalho. Em 93/94 dizia que o Braga um dia seria o Corunha do futebol português e poderia disputar o título. Passados estes anos todos não me surpreende que andem lá por cima. Custou muito montar aquela máquina, mas lá fomos. O V. Guimarães tem de ser a mesma coisa, vai levar o tempo necessário. Se este ano podemos chegar lá, vamos ver. Acho que vou chegar lá sem dizer nada. A média classificativa do Vitória nos últimos dez anos é 8,6. Entre o oitavo/ nono lugar. Se nesta altura melhorarmos isso será bom», apontou.

«Já falei com os jogadores: quando vim para cá o Vitória estava no 12º lugar da Liga Vitalis e hoje está na melhor classificação dos últimos dez anos. É quarto nesta altura. A margem de progressão que temos é cada vez mais curta e estamos preparados para oscilar de lugar para lugar. Mesmo com esta excelente classificação nesta altura não mudo o meu objectivo: acabar a época e deixar o V. Guimarães com condições para se tornar nos próximos dois, três anos como uma das mais fortes equipas portuguesas. Isso vai acontecer de certeza absoluta», garantiu.

O próximo jogo é com o Sporting e o técnico diz que a equipa quer manter a sequência de resultados positivos: «Temos a filosofia de que todos os jogos são possíveis de serem ganhos, este não foge à regra e não havia motivo para alterar a nossa maneira de estar. Espero que os jogadores se sintam bem, alegres e com prazer de jogar. Trinta e poucos jogos sem perder, seguramente um dia a derrota estará próxima. Nós não temos medo de perder e vamos para dentro de campo a pensar que podemos ganhar. Todos os dias morre gente sem querer e um dia o Vitória também vai perder, sem querer, mas não nos passa pela cabeça que venha a ser nos próximos jogos», reforçou Cajuda, convicto e confiante para o jogo com o Sporting, recepção ao Sp. Braga e viagem a Alvalade. Tudo nos próximos dias.

in Maisfutebol

Grande Cajuda, já fazia falta um treinador cuja ambição igualasse a dos indefectiveis adeptos brancos... A partir daqui tudo é possível...

1 comentário:

Nox disse...

Gostei do discurso. Será que estes adeptos ferverosos do vitória esperarão 2 anos para lutar por maiores feitos?